O Longo Caminho até o 11 de Setembro

O Longo Caminho até o 11 de Setembro
A verdadeira história do 11 de setembro

quarta-feira, 18 de junho de 2014

O Mestre das Marionetes

Brzezinski e Bin Laden no Paquistão


          A quem o Teleban pertence? A quem a Al-Qaeda serve? A quem a Al-Nusra beneficia? Quem escreve as agendas que estas e outras organizações terroristas seguem? Quem determina quais os países que serão atingidos pelas guerras? Quem decide as crises financeiras que destruirão as economias dos países? Quem decide os rumos e as mudanças que deverão ocorrer nas mais diversas regiões do mundo? Esta é uma longa história que vem sendo escrita por algumas personagens, que de tão malévolas, parecem saídas de um filme de terror. São homens de carne e osso como os simples mortais que a este documento tiverem acesso. Homens ressentidos, mesquinhos, arrogantes, gananciosos, que odeiam a tudo e a todos. Seus interesses são levados às últimas conseqüências e não se dão por satisfeitos com as duas Guerras Mundiais que criaram. Eles possuem nomes e sobrenomes e se julgam acima das leis. Da mesma forma que os ditadores que fabricam e depois destroem, possuem o mesmo desprezo pela vida humana e total desrespeito para com o resto do planeta. O livro O Longo Caminho até o Onze de Setembro, desmistifica estas pessoas e os classifica como criminosos e usurpadores. Lança luz sobre suas ações obscuras e os apresenta perante o mundo com todos os seus crimes cometidos contra a humanidade, contra as nações, e contra o futuro da raça humana. Estas pessoas corruptas e seus fantoches corrompidos fabricaram e fabricam guerras, crises humanitárias e financeiras, fome, miséria, doenças, tráfico de drogas e de pessoas, lavagem de dinheiro e armas de destruição em massa.

          Para as pessoas que querem continuar acreditando que tudo no mundo é obra do acaso e que conspirações não existem, sugiro que nem leiam o relato que se segue. Já aos homens de bem, que prezam pelo futuro de nossa raça como o fizeram nossos antepassados quando estiveram frente a frente com o extermínio massivo, encorajo-os a levantarem suas vozes e a agirem, pois o tempo é curto para a maioria das pessoas nesta casa que chamamos de Terra.

O Longo Caminho até o Onze de Setembro e, conseqüentemente, até a nova Guerra Global, aponta para um grupo seleto de conspiradores aos quais denomina: A Elite do Poder

           Fundada em 1973, para controlar o sistema monetário internacional, a Comissão Trilateral é o braço financeiro do movimento da Nova Ordem Mundial. Composta de banqueiros, industriais, empresários, militares, cientistas, economistas e políticos, a organização reúne pouco mais de trezentas personalidades exponenciais da América, Europa e Japão

Pouco tempo antes de o World Trade Center começar a funcionar, no início da década de 1970, a economia mundial passou por um período de incertezas e apreensões. O sistema monetário internacional ameaçava entrar em colapso. Foi então que David Rockefeller, já um poderoso banqueiro, seguindo a diretriz para a criação da Nova Ordem Mundial, passou à ação, encomendando estudos detalhados sobre os problemas econômicos mundiais. Rockefeller cercou-se de intelectuais das áreas financeira e política. Dentre eles, um brilhante imigrante polonês, naturalizado americano, de nome: Zbigniew Brzezinski, especialista em política internacional. Zbigniew Brzezinski e David Rockefeller investigaram e selecionaram cada indivíduo convidado a participar da formação e da administração da Nova Ordem Mundial. Eles escolheram e atraíram algumas das mentes mais brilhantes da Europa, Japão e EUA, que constituem o núcleo da Comissão Trilateral, e que, juntos, representam 70% do comércio mundial. A Comissão Trilateral foi criada com o objetivo de unir o mundo inteiro economicamente e obrigar as nações a darem autonomia aos seus bancos centrais que, obviamente, obedeceriam às normas internacionais vigentes. O primeiro passo para conseguir esse objetivo era controlar a presidência dos Estados Unidos. Assim o fizeram colocando na Casa Branca Jimmy Georgia Carter, que passara a fazer parte da Comissão Trilateral ainda em 1973, o ano de sua criação. Foi Brzezinski o homem designado para instruir Jimmy Carter sobre os pontos de vista da trilateralista. Com um perfeito controle sobre os meios de comunicação, os trilateralistas fizeram com que Carter emergisse do anonimato para apossar-se da Casa Branca. Imediatamente, o novo presidente nomeou para o cargo de secretário Zbigniew Brzezinski. Carter colocou também outros companheiros da Comissão Trilateral nos principais cargos de confiança.
Nas eleições de 1980 e 1984, a CT conseguiu eleger Ronald Reagan cujo vice-presidente, George H. W. Bush era membro destacado da Comissão.

Quem era aquele polonês de nome estranho?

Brzezinski era um professor da Universidade de Colúmbia, e Doutor em Filosofia (Ph.D) que foi escolhido por David Rockefeller para ser o diretor executivo da Comissão Trilateral. Em 1968, ele afirmou: “Muito em breve será possível termos um acervo de dados pessoais sobre cada cidadão. Essas informações permitirão um controle sobre cada pessoa da face da Terra, a qualquer hora... E cada cidadão poderá ser sondado e controlado pelas autoridades”. Sobre essa nova era profetizada por Brzezinski, que ele chamava de “Era da Tectrônica”, ele disse ainda: “A era da eletrônica envolverá gradualmente o controle da sociedade, que será dirigida por uma elite, onde os tradicionais valores devem ser destruídos. Sobre isso, nos presentes dias, Edward Snowden nos elucida muito bem com milhares de documentos secretos vazados da National Security Agency  NSA.
No plano político, resultaria um governo mundial único, instituído em torno de princípios comuns. Os mais relevantes desses postulados seriam: a supressão de todas as Forças Armadas, substituídas por um contingente policial supranacional com a bandeira da ONU, da OTAN ou de outra que poderá ser criada, no lugar das anteriores, mas que seja capaz de impor a paz e a ordem em qualquer parte do globo, com o respaldo de uma corte de justiça universal; a instituição de moeda única, física e eletrônica, emitida e controlada por um ou mais bancos centrais privados e independentes de qualquer governo nacional; o afastamento da civilização ocidental de seus antigos valores morais, éticos e religiosos, de tradição judaico-cristã ou muçulmana, submetendo-a, tão somente, ao domínio de uma “nova ética” materialista, com base exclusiva na razão, no conhecimento científico e no direito positivo; o fim dos estados nacionais, com a abolição de fronteiras fixas e do conceito de soberania.
Para que um processo de tamanha ambição e alcance pudesse prosperar na prática, seria necessária a existência de uma poderosa e atuante rede de instituições e lealdades, mantidas sob pesado véu de discrição e sigilo. Essa antiga urdidura, que esteve presente e influenciou fatos primordiais da história, como as revoluções americana, francesa e russa, e erodiu o poder das monarquias cristãs formadas a partir da Idade Média, começou a ser tecida, em sua fase mais contemporânea no governo do presidente Woodrow Wilson, com a criação de três instituições-chaves, que asseguraram a perfeita consolidação do sistema secreto de poder: a Liga das Nações, o Federal Reserve System e o Council on Foreign Relations (CFR). Duas vezes se tentou atingir esta meta. Por divergências das mais complexas, dois grandes choques se seguiram gerando, assim, duas grandes guerras.
De forma coerente com os planos de instruir e governar todas as fases da política externa americana foram membros do CFR, quase todos os diretores da CIA desde Allen Dulles, todos os secretários de Estado, menos um, desde 1940 e todos os secretários da Guerra/Defesa, sem exceção. Esta assertiva abrangeu o governo George W. Bush. A face do CFR começou a ser revelada, para o público americano, a partir dos anos 70, com o surgimento das novas tecnologias de comunicação. Em um esforço, aparentemente destinado a desviar essas atenções, David Rockefeller, então seu presidente, envidou esforços para criar uma organização mais visível, que pudesse servir de “biombo” para as atividades do conselho: a Comissão Trilateral.
A idéia de criar a Trilateral lhe fora ofertada por Zbigniew Brzezinski, chefe do Departamento de Estudos sobre a Rússia, da Universidade de Columbia (New York), autor de inúmeros documentos e livros que tinham servido de linhas mestras para o estabelecimento de diretrizes e estratégias pelo CFR. Ele pesquisara, anteriormente, uma forma de “cooperação mais próxima” entre as nações da Europa, da América do Norte e da Ásia, assim defendida: “Uma nova e mais ampla aproximação é necessária: a criação de uma comunidade de nações desenvolvidas, que possa, efetivamente, se dedicar as maiores preocupações relativas à humanidade... Uma comissão representando os Estados Unidos, a Europa Ocidental e o Japão, com reuniões periódicas de seus chefes de Estado, bem como uma pequena infra-estrutura de apoio, seria um bom começo.” Ele também vislumbrava uma sociedade “... Que fosse moldada cultural, psicológica, social e econômicamente pelo impacto da tecnologia e da eletrônica, particularmente na área dos computadores e das comunicações...”
A Comissão Trilateral de Brzezinski foi fundada, oficialmente, em 1º de julho de 1973, tendo David Rockefeller como presidente, mas os planos de sua criação e funcionamento foram apresentados, em primeiríssima mão, aos membros do ultra-secreto grupo dos Bilderberger, em abril de 1972, na pequenina cidade belga de Knokke-Heist. Ali, a reação ao projeto foi entusiástica. A grande preocupação do fechado grupo, nesse dia, era quanto às vigorosas, porém esperadas, reações da comunidade internacional, especialmente da Europa e do Japão, a devastadora desvalorização do dólar, representada pelo rompimento do pacto de Bratton Woods, por Nixon, desvinculando a moeda americana do padrão-ouro. Mas, havia, ainda, outras razões de inquietação entre os presentes aquela fechadíssima reunião: eram as novas sobretaxas aplicáveis as importações americanas, visando à redução do seu déficit externo; a política iniciada com a China, de olho no seu potencial de comércio; e o gradativo, porém brutal, aumento de preços do petróleo. Os países produtores tinham reagido de pronto, a astronômica depreciação do dólar, que elevara o preço do ouro as nuvens (passou de US$ 800,00 a onça), reajustando também eles, sua valiosa e finita matéria-prima, conhecida no jargão do mercado como “ouro negro”. Afinal, os petrodólares não poderiam mais ser convertidos no metal amarelo, ao preço de US$ 35,00 a onça, conforme estipulara o acordo de Bretton Woods, desde o pós-guerra. Para os países produtores, vender petróleo, dali em diante, em troca de uma moeda agora inconversível e desvalorizada, representaria, como num passe de mágica, transformar sua poupança monetária (os petrodólares) em areia e reduzir, pesadamente, o valor econômico de suas reservas de óleo, dos contratos de fornecimento de longo prazo, de sua receita bruta e dos estoques formados. Essa foi, na verdade, a causa real dos chamados “choques do petróleo” que se seguiram, em 1973 e 1979. Não obstante, esse gravíssimo fato foi transmitido ao grande público, pela mídia de massa, como atitude “ganânciosa e monopolista” do cartel de países produtores, decididos a “levar à bancarrota a economia ocidental...” Todas essas questões, que estavam amargurando os aliados dos americanos, causavam deterioração nas relações externas dos Estados Unidos, especialmente com o Japão. Ele era o principal prejudicado, em face de sua total dependência de combustíveis fósseis e das exportações maciças de produtos de alta tecnologia para os Estados Unidos. A reunião entre os Bilderberger, entretanto, tinha lhes dado mostras de que houvera certa precipitação em se deflagrar, quase simultâneamente, medidas tão duras e explícitas visando a resultados financeiros convergentes, concentradores. Era imprescindível, portanto, abrandá-las e, por isso, a proposta de Brzezinski, sugerindo um estágio intermediário, tripartícipe, na unificação desse poder, com especial destaque para o Japão, na liderança do que viria a ser um futuro bloco asiático, foi aclamada, unânimemente. A Trilateral estava informalmente criada e liberada para iniciar seus trabalhos, o que ocorreu, apenas três meses depois, numa propriedade particular da família Rockefeller, em Pocântico Hills, Tarritown, Estado de Nova York, nos dias 23 e 24 de julho de 1972. Participaram  desse primeiro encontro diversas personalidades, ao que tudo indica, selecionadas apenas por Rockefeller e Brzezinski. Somente um ano depois, ocorreria a cerimônia oficial. David Rockefeller, então, nomeou Brzezinski fundador e diretor do ramo norte-americano da Comissão, que abrigava, ainda, o governador Jimmy Carter, o congressista John B. Anderson (outro candidato presidencial) e Hedley Donovan (editor-chefe do grupo Time, Inc.). Entre os demais fundadores, estavam Reginald Maulding, Lord Eric Roll, Alistair Burnet (editor do Economist), Giovanni Agnelli (presidente da Fiat), Raymond Barre (França) e um grupo de representantes da elite Japonesa, à frente, Sujiro Fujino (Mitsubishi).
A Primeira Guerra Mundial veio demonstrar que o petróleo era imprescindível e estratégico para todas as nações que buscavam o progresso. As empresas européias intensificaram as pesquisas em todo o Oriente Médio. Elas comprovaram que 70% das reservas mundiais de petróleo estavam no Oriente Médio e provocaram uma reviravolta na exploração do produto. Um tempo depois, países como Iraque, Irã e arábia Saudita ganharam alto poder no jogo da produção petrolífera. E foi nesse contexto de domínio das reservas que aconteceram as três grandes crises do petróleo. A primeira foi em 1973, quando o mundo vivia uma época de crescimento industrial. As máquinas eram completamente dependentes do petróleo para funcionar. Se aproveitando dessa situação, os árabes, maiores produtores, entraram em conflito com Israel, país que contava com o apoio dos EUA (país que menos sofreu, porque tinha uma grande reserva de petróleo e porque os petrodólares eram investidos no mercado americano) e Europa. Como represália, os árabes decidiram boicotar o Ocidente, cortando a extração de petróleo em 25%. O preço do barril saltou de U$ 2,00 para U$ 12,00.
Na Segunda crise, em 1979, além dos donos dos poços de petróleo (os árabes) mais uma vez reduzirem sua produção, conjunturas políticas externas fizeram com que o preço subisse violentamente, saltando para a casa dos U$ 40,00, provocando desespero nos países importadores de petróleo. Para sair dessa dependência, os países importadores passaram a desenvolver formas alternativas de combustíveis como o álcool, a energia nuclear e o carvão mineral. A exploração de jazidas de petróleo também se intensificou em muitos países.
Na terceira crise, houve então, a Guerra do Golfo, em 1991, quando o Iraque invadiu e anexou o Kuwait, o que gerou um forte conflito.
A incursão do Oriente Médio na dominação de suas produções de petróleo, principalmente a partir de 1973, trouxe junto muitas guerras, concentração de renda e aumento das desigualdades sociais. Os conflitos religiosos e territoriais, que sempre marcaram a região, se intensificaram com a questão do petróleo.
Os Petrodólares
          Até 1971 cada dólar Americano representava um peso fixo em ouro. Os Estados Unidos dispunham de enormes reservas de ouro, que cobriam a totalidade da quantidade de dólares posta em circulação. Quando bancos estrangeiros tinham mais dólares do que pretendiam, podiam trocá-los por ouro. Esta era a razão pela qual o dólar era aceito no mundo todo. Contudo, a partir deste ano, o valor do dólar foi separado do peso fixado em ouro. Esta foi uma medida da aflição do presidente Nixon. A guerra do Vietnam havia esvaziado os cofres do Estado. Os EUA haviam impresso mais dólares do que o permitiam as suas reservas de ouro. Desde então, o valor do dólar é determinado pela lei da oferta e da procura nos mercados de câmbio. Nesta época os Estados Unidos ainda produziam bastante petróleo para o seu consumo próprio. Para proteger suas empresas petrolíferas, haviam instaurado limitações às importações de petróleo. Em contrapartida do levantamento destas limitações, os países da OPEP prometiam não mais vender o seu petróleo senão em dólares. Na época o dólar já era a moeda mais utilizada no comércio mundial. Desta forma, todos aqueles que desejavam importar petróleo deveriam antes comprar dólares. É a partir deste momento que as coisas melhoraram para os EUA. Quase todo o mundo tem necessidade de petróleo, portanto todo o mundo quer dólares. Vejamos: Os compradores de petróleo do mundo inteiro dão os seus yens, coroas, francos e outras moedas. Em troca recebem dólares, com os quais podem comprar petróleo nos países da OPEP. A seguir, os países da OPEP vão gastar estes dólares. Poderão naturalmente fazer isso nos Estados Unidos, mas também em todos os outros países do mundo. Com efeito, todo o mundo quer dólares, pois todo o mundo terá novamente necessidade de petróleo.
          Neste comércio de petróleo, há a necessidade de uma quantidade importante de dólares. Muitos destes dólares não servem senão no ciclo no exterior dos Estados Unidos, ou seja, entre os outros países do mundo e os países da OPEP. Acontece que no princípio não existiam suficientes dólares para isso. Eles deviam ser impressos nos EUA. Isso lhes custava papel e tinta verde. A seguir, estes dólares deviam ser postos à disposição no estrangeiro, nos lugares onde os compradores de petróleo dele tinham necessidade. Esta artimanha possibilitou a obtenção de lucros exorbitantes. Com efeito, não existe senão um modo de colocar este papel moeda novo à disposição no estrangeiro: os Estados Unidos vão fazer compras com eles e uma vez que esta quantidade de dólares fica em uso permanente no estrangeiro, os Estados Unidos nada fornecem em troca. As suas compras, portanto, são gratuitas e perpetuam-se. Uma vez que são precisos mais dólares no comércio de petróleo, pela subida de preços ou de volumes, estes são benefícios para os Estados Unidos. Isto não se limita aos crescimentos no comércio de petróleo, pois vale igualmente para a utilização do dólar no resto do comércio mundial. A globalização, o livre comércio mundial, a privatização mundial dos serviços públicos, como por exemplo, os serviços de gás, água, eletricidade, telefone e transportes públicos, devoram quantidades enormes de dólares. São sempre mais dólares que desaparecem nos quatro cantos do mundo. E em primeiro lugar isto significa sempre compras gratuitas para os Estados Unidos.
          Evidentemente, isto implica que os Estados Unidos estão a criar, por estes muitos anos, dívidas com todas estas compras gratuitas. Pois, um dia o estrangeiro poderia vir fazer compras nos EUA com todos estes dólares e então, finalmente, os EUA deveriam fornecer alguma coisa em troca. Para não correr risco, os Estados Unidos deveriam ter o cuidado de manter o equilíbrio entre as suas importações e as suas exportações. A partir de 1971, data em que uma quantidade acrescida de dólares fora posta em circulação, só em 1972 as vendas ultrapassaram as compras. O tiro saiu pela culatra. A seguir começou a descida e os Estados Unidos vivem cada vez mais pendurados no resto do mundo. Só no ano 2004, o déficit na balança comercial foi de 650 bilhões de dólares. Numa população de 300 milhões, isto quer dizer que cada cidadão dos Estados Unidos comprou 2.167 dólares de mercadorias estrangeiras, pelas quais não pagou.
          Em face deste déficit da balança comercial, não houve melhoria na balança de pagamentos. A dívida externa dos Estados, portanto, aumentaram em 650.929.500.000 dólares num ano. Isto equivale a 1,25 milhões de dólares por minuto. O déficit do comércio externo dos Estados Unidos é mais importante no seu comércio com a China (162 bilhões de dólares), o Japão (76), o Canadá (66), a Alemanha (46), o México (45), a Venezuela (20), a Coréia do Sul (20), a Irlanda (19), a Itália (17), a Malásia (17).
          Qualquer outro país que compra mais do que vende verá diminuir o valor da sua moeda. Quando não se pode comprar grande coisa com uma moeda, a procura baixa, tal como o seu curso no mercado de câmbios. Mas o que vale para os outros países não vale para os Estados Unidos. O mundo inteiro tem tanta necessidade de dólares para comprar petróleo que há sempre procura. Os Estados Unidos consomem ¼ da produção mundial de petróleo. Quando o curso do dólar ascende, unicamente o preço para os outros ¾ dos consumidores de petróleo é que sobe. Para os Estados Unidos o preço não se move. Quando o preço da OPEP sobe, é preciso acrescentar dólares ao ciclo. Se o consumo permanece o mesmo, eles podem ser impressos e acrescentados à circulação, sem que o curso do dólar baixe.
          No comércio do petróleo, uma baixa do dólar é geralmente seguida da sua conseqüência lógica. Em longo prazo, os exportadores de petróleo não aceitarão um valor menor pelas suas vendas. Se o curso do dólar baixa 10%, é quase certo que os preços do petróleo aumentarão 10% de modo que o valor permaneça pelo menos idêntico. Se não houver mais necessidade de dólares para comprar petróleo, o resto do mundo não terá nenhuma vantagem em continuar a servir-se do dólar. Apenas desvantagens. O dólar não representa mais equivalência em ouro e a dívida externa gigantesca conduzirá à conseqüência lógica: o curso do dólar cairá. E quando os estrangeiros não aceitarem mais dólares, os Estados Unidos não poderão mais imprimi-los para viver à custa do resto do mundo. Não poderão mais manter o seu exército custoso. Perderão a sua influência. A queda do dólar terá um efeito secundário miraculoso para os Estados Unidos. Quando o dólar já não valer mais nada, a dívida externa terá ao mesmo tempo desaparecido. Com efeito, esta é composta de dólares que se encontram no estrangeiro. No limite, atingirão o valor do papel velho. Então, a queda do dólar será igualmente acompanhada pela falência de bancos, empresas e organizações internacionais, cujo destino está ligado ao do dólar.
          Um grupo importante de compradores de dólares é constituído pelos bancos centrais dos diferentes países. Os bancos centrais guardam reservas estratégicas. São reservas em moeda estrangeira, com as quais estes bancos podem recomprar a sua própria moeda, se porventura grandes quantidades forem propostas nos mercados de câmbio. Assim, eles podem impedir que o curso da sua moeda caia. Eles guardam estas reservas na moeda mais aceita do mundo, até agora o dólar. Mas na China, no Japão, e igualmente em Formosa e na Coréia do Sul, estas reservas de dólares subiram muito acima do que é estrategicamente necessário. Não é tanto porque estes bancos gostem de guardar os dólares, ao contrário. Estes países exportam muito e, em conseqüência, massas de dólares afluem para eles. Elas devem ser trocadas contra a moeda local para pagar os trabalhadores e as matérias-primas. Se a procura de dinheiro local empurra o seu curso para o alto, os produtos tornam-se mais caros para o estrangeiro. Assim, para não por em perigo a posição exportadora do país, os bancos centrais tentam manter o curso da moeda estável. E é por isso que compram dólares maciçamente, evitando assim que o curso da sua própria moeda aumente. Para estes países isto é um grande problema. Por todos estes dólares armazenados, os bancos centrais emitem dinheiro local. Portanto, de fato, os trabalhadores recebem inflação em troca dos seus produtos exportados. Desta maneira, exportam trabalho e matérias-primas em troca de nada. Para os bancos centrais, estes dólares rendem quase nada. Os dólares certamente podem ser trocados por obrigações, como os títulos do Tesouro, e render algum juro. Mas mesmo estes juros não pagam definitivamente senão a si próprios, uma vez que os Estados Unidos pagam-nos simplesmente com um novo aumento da sua dívida externa. Durante este período, o valor de todos estes dólares armazenados é tributário das flutuações de curso nos mercados de câmbio. E, além disso, devido à dívida externa gigantesca dos Estados Unidos, o dólar ameaça implodir a qualquer momento. Estes bancos centrais estão encalhados entre a necessidade de se desfazerem destas reservas de dólares, a necessidade de comprarem dólares para manterem o curso da sua própria moeda e, eventualmente, de comprar dólares quando o curso do mesmo arrisca-se a cair nos mercados mundiais de câmbio. Enquanto isso, os Estados Unidos deixam subir a sua dívida externa cada vez mais rapidamente.
          Peritos do Asian Development Bank estimam que o curso do dólar deveria descer de 30% a 40%. Tamanha baixa comporta o risco de que um número importante de bancos e empresas vendam os seus dólares rapidamente e que mesmo os bancos centrais não queiram ou não possam mais impedir a queda total do dólar. Aquele que vende os seus dólares em primeiro lugar safa-se, quem espera não tem senão de calcular as suas perdas.


          Para manter a procura permanente de dólares, as vendas de petróleo devem continuar em dólares. É por isso que os Estados Unidos tentam manter a maior influência possível, por um lado sobre o mercado do petróleo, pelo outro sobre os dirigentes locais. Deste modo asseguram simultaneamente o seu aprovisionamento em petróleo. E, para os dirigentes locais, há contratos lucrativos a obter com os quais se pode apropriar de um máximo de benefícios na produção de petróleo. Mas quando estes dirigentes locais não quiserem mais vender seu petróleo em dólares, os Estados Unidos terão um problema. Neste caso, o presidente dos Estados Unidos não explicará quanto o seu país é dependente da procura de dólares. O conflito será, pois, sempre camuflado. Para isso, sistematicamente, será escolhido um tema emocional. Outrora era o perigo comunista, hoje é o perigo terrorista, fundamentalista e outros medos populares tais como "O inimigo tem armas de destruição maciça" ou "O inimigo tenta fabricar armas nucleares". Isto faz com que, no caso de não existir qualquer prova, seja sem importância. As emoções dominarão sempre. Mesmo o fato de as acusações serem invertidas, com provas para demonstrar, não é notado por quase ninguém: os Estados Unidos têm armas de destruição maciça e já as utilizaram; os Estados Unidos têm armas nucleares e já as utilizaram. Em 2006 ainda ameaçaram fazer uso delas. Mas, mais uma vez, a partir do momento em que as acusações são vertidas emocionalmente, o ser humano desliga sua inteligência. A razão já não é um argumento para manter a paz. O teatro já não se concentra senão em torno das acusações. E uma vez que nenhum especialista de armas de destruição em massa ou de armas nucleares tem a palavra, praticamente ninguém descobre o problema real dos Estados. E foi assim que nasceu a idéia de um Grande Evento que seria o catalisador das novas estratégias de contenção das superpotências, a saber: China, Rússia (Eurásia) e Índia.  O Grande Evento teve sua data inaugural em 11 de setembro de 2001. 

Do Livro: O Longo Caminho até o 11 de Setembro.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Obama, a quem a Frente Al-Nusra favorece?

          
          A Frente Al-Nusra, às vezes referida como Jabhat al-Nusra  que significa: "A Frente de suporte para o povo da Síria", é uma milícia islâmica de orientação sunita e jihadista que opera na Síria, onde pretendia instituir um Estado Islâmico. Todavia, graças as bem organizadas forças de defesa sírias, esta milícia, associada a milhares de combatentes da Al-Qaeda, vem sofrendo derrotas e muitas baixas. Como estão perdendo as cidades que haviam conquistado, sendo, portanto, obrigados a recuar, estão optando por invadirem um país mais frágil e sem forças de segurança treinadas, além de mal equipadas. A saber, o Iraque.
          O grupo foi criado em 23 de janeiro de 2012 e passou a integrar as forças da oposição síria que está no meio de uma guerra civil para derrubar o presidente do país, Bashar al-Assad. O grupo é descrito como "um dos mais agressivos e eficientes a integrar as forças rebeldes sírias". Desde de dezembro de 2011, o governo dos Estados Unidos considera esta milícia como uma organização terrorista. Em abril de 2013, a al-Nursa jurou fidelidade ao chefe da al-Qaeda, com quem mantém laços ideológicos e logísticos.

          O grupo é descrito como um dos maiores e mais organizados das forças rebeldes dentro da Síria, lutando ao lado da oposição do país para derrubar o governo sírio que controla a nação. Contudo, ela também é acusada de vários atentados terroristas que causaram dezenas de mortos. Segundo informações de ativistas dentro e fora da Síria, a milícia al-Nusra impõe uma visão estrita da lei islâmica nos territórios que ocupa militarmente em nome da oposição.



          O principal dirigente da organização é um homem que utiliza o nome de guerra de Abu Mohammad al-Golani (ou Abu Mohammad al-Jawlani), no qual "Golani" é uma referência às Colinas de Golã. O chefe da organização teve seu nome retirado da lista de procurados do departamento de estado americano em fevereiro de 2014, poucos meses depois de ter jurado fidelidade ao chefe da Al-Qaeda. Também merecem destaque outros líderes como Maysar Ali Musa Abdallah al-Juburi e Anas Hasan Khattab, que foram alvo de sanções financeiras por parte do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, e Mustafa Abdel-Latif, também conhecido como Abu Anas al-Sahaba, um jordaniano que é cunhado de Abu Musab al-Zarqawi que foi o líder da Al-Qaeda no Iraque.

          Em meio aos encontros preparativos para a Conferência de Genebra II a respeito da situação da Síria, o Prof. Michel Chossudovsky, Diretor do Centro de Pesquisas em Globalização e Professor Emeritus da Universidade de Ottawa, chamou a atenção ao controverso papel que a administração Obama desempenha no conflito da Síria, assim também como a respeito da possibilidade de que o dirigente do governo dos Estados Unidos não só coopere com a Al-Qaeda, e outras organizações terroristas, como também fornece armas. Chossudovsky chama a atenção para o fato de se observar os vários relatos midiáticos, incluindo-se os da CNN e os da mídia  de Israel. Compreende-se que os rebeldes, e então nominadamente Al-Nusra, tem acesso a muitas armas. Entretanto, reconhece-se que as forças ditas ocidentais estão em realidade treinando os rebeldes da Al-Nusra na Jordânia e na Turquia. Isso foi confirmado num relatório da CNN, em 9 de dezembro. E o professor não para por aí. Mais além, ele aponta para a importância de se ater ao relato da missão independente da ONU, onde se confirmou que as forças rebeldes tem acesso ao neuro-gás sarin. Os investigadores dos direitos humanos da ONU fizeram realmente uma declaração a esse respeito, assim como refutaram as acusações de que as forças do governo na Síria estivessem  em posse de armas químicas, embora o governo as tenham em grande quantidade mas que, em acordo firmado com a ajuda da mediação russa, este material está sendo retirado da Síria. É fato terem afirmado que os rebeldes tinham não só possibilidade de acesso a armas químicas, mas também possuíam uma grande quantidade das mesmas . Quanto a isso, têm-se o relatório policial vindo da Turquia, o qual essencialmente confirma os relatos anteriores, uma vez que os terroristas da Al-Nursa apoiados pela aliança militar ocidental, foram presos tendo o gás sarin em  sua posse.

          Na opinião de Chossudovsky, ele acredita que já possou do ponto de perguntar se Obama está apoiando a Al-Qaeda. John Kerry está em direto contato com os comandantes os quais estão ligados aos rebeldes. Além disso, existem documentos razoavelmente abrangentes de que muito dinheiro e armamentos estão sendo canalizados aos rebeldes e de que esses rebeldes realmente estão na lista do departamento de estado americano como organizações terroristas. Esta afirmação, em sua essência, diz que essas organizações associadas a Al-Qaeda não estão mais sendo apoiadas só encobertamente pela CIA, mas que elas estão agora sendo abertamente apoiadas pelo Presidente dos Estados Unidos, assim como pelo Secretário do Estado o qual está em contato com comandantes dessas forças terroristas. Nomeia-se especialmente aqui então o intermediário General Idriss, o qual age com o Exército Livre da Síria estando constantemente em contato com os rebeldes.
          Assim, deveríamos entender que a administração Obama, e seus aliados, estão abrigando e ajudando uma organização terrorista a qual está na lista do departamento de estado americano caracterizada como organização terrorista, o que significa que o presidente Obama e o Secretário do Estado John Kerry poderiam ser responsabilizados sob a lei dos Estados Unidos. Assim, Chossudovsky argumenta que Obama está violando a “Lei Patriota” e de que ele está transgredindo a legislação anti-terrorista dos Estados Unidos. O governo dos Estados Unidos está realmente em bramante e ruidosa  violação de sua própria lei, enquanto empreende a denominada guerra ao terrorismo.
Referências e Notas:
Global Research, “Syria: Obama Overtly supports Al-Qaeda, Provides Terrorists with Chemical Weapons: Michel Chossudovsky

O resultado de tal transgressão, óbviamente não recai sobre aqueles que são os responsáveis de tais atos. Todavia, infelizmente, pesa sobre os inocentes. Justamente os que deveriam ser protegidos. Os terroristas e seus cúmplices não procuram nem esconder seus crimes. Ao contrário, os documentam e os apresentam sem temer a mão da justíça (talvez por saberem que ela anda com os olhos fechados pelas mãos da Casa Branca.
Algumas destas provas são tão terríveis que nem todos estão preparados para encará-las. Infelizmente, é preciso que o façamos! Para tanto, sugiro que acessem um link que disponibilizo.

Crimes Contra a Humanidade.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Obama, a quem a Al-Qaeda pertence?

A Comissão do 11 de Setembro, segundo as palavras de Snowden,
"Eles descobriram que tínhamos todas as informações que precisávamos como uma comunidade de inteligência ... para detectar e impedir os ataques de 11 de setembro."




          A Comissão que investigou os atentados de 11 de setembro, descobriu que as agências de inteligência possuíam informações necessárias para detectar e neutralizar a preparação e os ataques terroristas de 11 de setembro. Possuíam os registros das ligações telefônicas dos Estados Unidos para o exterior. A CIA sabia quem eram os membros da célula terrorista em solo americano. Snowden considera que o problema não estava nas informações que possuíam. Mas, que não compreenderam o que as mesmas significavam. Atualmente, a comunidade internacional tem consciência de que os ataques de 11 de setembro são exaustivamente utilizados pelo governo federal como justificativa principal para vigiar bilhões de pessoas em todo o mundo.

          Outro ex-executivo sênior da NSA, Thomas Drake, revelou, em 2005, os programas de vigilâncias inconstitucionais de americanos e, ainda, que a NSA possuía a inteligência crítica sobre a Al-Qaeda e sobre as movimentações dos seus membros. Todavia, a NSA não compartilhou estas análises com as outras agências. Embora possuíssem informações precisas sobre os iminentes ataques, nada fizeram. Após os mesmos, tanto a NSA, quantos a CIA e o FBI se aproveitaram da situação para aumentarem suas verbas para a vigilância em massa à nível global. Curiosamente, em 2013, o presidente Barack Obama revogou uma lei federal que impedia os EUA de armarem os terroristas, com a finalidade de fornecer apoio militar aos grupos que agem na Síria, sendo estes pertencentes à Jabhat Al-Qaeda e à Al-Nusra, como fizera anteriormente na derrubada do Regime da Líbia. E é por estas e outras que a comunidade internacional já começa a perguntar: "Obama, a quem a Al-Qaeda pertence?"

A NSA tinha todas as informações para deter o 911.

EUA usam terrorismo para gerir conflitos internacionais


A posição tomada pelos EUA e pelos países da União Europeia em relação à crise na Ucrânia contraria abertamente os princípios que esses países tentam pôr em prática em outras regiões, principalmente no mundo árabe.

Fica a sensação de que os países ocidentais neste momento não têm princípios firmes e que eles atuam exclusivamente a partir de posições do pragmatismo político. Ou dito de uma forma simples – para obter proveitos próprios. Essa é a opinião do analista e diretor editorial do jornal Al-Ahram, Amr Abdel Samie:
– Se olharmos para as relações entre a União Europeia e os EUA, por um lado, e a Rússia, por outro, ou para as posições da União Europeia e dos EUA relativamente à atual situação que se vive no Oriente Médio, especialmente no Egito, ou se olharmos para as posições da União Europeia e dos EUA relativamente à Líbia, essas gritantes contradições se tornam completamente evidentes. O establishment dos países ocidentais transmite constantemente a opinião que os EUA e a União Europeia combatem alegadamente com firmeza o terrorismo. Mas isso não é verdade. Se analisarmos os acontecimentos que ocorrem em diferentes regiões, nós veremos claramente que o terrorismo é realmente nesta altura o mais importante instrumento que os EUA e a União Europeia usam para gerir os conflitos internacionais."
Nos últimos três anos os EUA se tornaram no principal suporte do terrorismo islâmico em todo o mundo. Os EUA usam o terrorismo de forma a minar os regimes nacionais nos outros países de forma a orientar os acontecimentos na direção que interessa aos Estados Unidos.
Não é preciso ir longe para encontrar exemplos. Analisemos os recentes atentados ocorridos em Xinjiang, na China. Todos sabemos que os Estados Unidos não estão nada contra um enfraquecimento da China e o resultado é as autoridades chinesas não conseguirem acabar com o terrorismo islâmico em Xinjiang há muitos anos, apesar de todos seus esforços. O mesmo pode ser dito dos atentados terroristas no Cáucaso russo.
A China e a Rússia são hoje as principais circunstâncias irritantes para os EUA, e a sua aproximação constitui simplesmente um superpoderoso fator irritante. As razões para isso são compreensíveis. O poder combinado da Rússia e da China não deixa de impressionar. Ao estabelecer uma cooperação eficaz, esses dois países serão simplesmente invulneráveis às pressões externas. Um exemplo disso é o contrato do gás recentemente assinado entre Moscou e Pequim. Esse negócio tem um caráter estratégico e, simultaneamente, está intimamente ligado à atual situação política global. Ela debilita a pressão econômica por parte dos EUA e da União Europeia sobre a Rússia, aumentando ao mesmo tempo a pressão russa sobre a Europa, que é o aliado político principal dos Estados Unidos. A Rússia conseguiu criar uma aliança com a China para reduzir a influência norte-americana, e isso irá resultar em mais uma grande derrota numa série de futuras derrotas dos EUA. A América nada pode contrapor a essa aliança dos pontos de vista militar, econômico e político.
Restam os métodos “encobertos” de pressão. Eles incluem o terrorismo islâmico, que os Estados Unidos já há muito usam (e, infelizmente, com êxitos frequentes) para alcançar seus objetivos na região do Oriente Médio. Será lógico supor que o reforço dos laços russo-chineses estimule os Estados Unidos a dinamizar esse instrumento de pressão sobre esses dois países.
Mas os norte-americanos têm de perceber que esse instrumento é muito pouco confiável. Eles usaram os radicais islâmicos para mudar o regime na Líbia, mas acabaram obtendo um resultado precisamente contrário ao que esperavam. Na Síria os Estados Unidos apoiavam verbalmente os dissidentes liberais locais, mas na prática reforçavam os grupos radicais islâmicos que se opõem ao regime de Assad. No final ambos acabaram por perder. No Egito os EUA apoiaram a Irmandade Muçulmana para submeter o Egito à sua influência, mas acabaram por perder novamente.
O que se passa atualmente na Ucrânia? Os EUA apoiaram um golpe de Estado, organizado em Kiev contra o presidente Yanukovich por um grupo relativamente pequeno de pessoas. No entanto não reconheceram a revolução pacífica no Egito, onde no verão do ano passado milhões de pessoas saíram para as ruas para derrubar o regime de Mursi. Reparem: por todo o lado os EUA se colocam ao lado das forças que usam métodos violentos e abertamente terroristas. Isso já configura uma tendência estável que é impossível deixar de notar – apesar de a principal mídia ocidental não ver as evidências, como é natural.
Mas nós vemo-las claramente, inclusive no exemplo do nosso próprio país. Nós vemos, e sentimos pessoalmente, que os EUA e a União Europeia não atuam partindo de alegados princípios morais elevados, mas exclusivamente em prol dos seus interesses práticos, e para os atingir não são muito escrupulosos na escolha de seus métodos.

Do jornal Al-Ahram, Amr Abdel Samie (analista e diretor editorial).

Leia mais: http://portuguese.ruvr.ru/news/2014_05_30/terrorismo-e-instrumento-principal-dos-eua-na-gestao-de-conflitos-internacionais-6910/

sexta-feira, 9 de maio de 2014

O Furacão Monica Lewinsky


Com a economia reluzindo, sem inflação e desemprego, o crime em baixa e nenhum inimigo externo capaz de afrontar a potência americana, Clinton estava se preparando para entrar na história como o administrador de uma época dourada, de prosperidade e paz. Até seus esforços de valorizar o governo, sem gastança excessiva e com sobras no orçamento, estavam dando certo. A imprensa e, especialmente, as redes de televisão americanas viviam num ambiente de calmaria. Durante cinco anos na presidência, Bill Clinton safou-se das maiores orquestrações já armadas contra um presidente americano, neste século. Um a um, ele foi derrubando esses ataques ou, quando não podia, minimizando as acusações, falsas ou não suficientemente comprovadas. Assim, ele batia recordes de aprovação nas pesquisas de opinião. Apesar das amantes, dos ricos e sinistros contribuintes de campanha, da vulgarização da Casa Branca, transformada num hotel para doadores generosos, o presidente tinha na economia sólida um pára-raios aparentemente intransponível. Foi neste momento que seus inimigos começaram a massacrar a sua imagem.
No dia 17 de janeiro de 1998, o presidente Bill Clinton prestou um depoimento inédito na história da política americana. Pela primeira vez, um presidente foi interrogado como réu. Clinton estava diante dos advogados da morena do Arkansas, Paula Jones, que havia feito uma acusação pesada de assédio sexual contra o presidente. Tratava-se de um pedido de favores que ele lhe havia feito, quando ainda era governador do Arkansas. Ela pedia na justíça uma indenização além de um pedido público de desculpas. Na tentativa de provar que Clinton era um conquistador incorrigível, os advogados de Paula saíram à caça de todas as mulheres que, real ou supostamente, tivessem se envolvido com o presidente. Em segredo de justíça, colocaram em pauta o caso Monica Lewinsky, até então desconhecido da opinião pública. Indagado sobre Monica, Clinton negou qualquer relacionamento sexual. Foi quando cometeu um erro que lhe custaria caro, pois ao negar, já que estava sob juramento, cometeu perjúrio. Para este mesmo processo, os advogados de Paula convocaram Monica para depor. Foi aí que, em desespero, o presidente cometeu seu segundo erro: Clinton acionou o amigo de todas as horas, o advogado Vernon Jordan, para incentivar e ensinar Monica como enganar um juiz. E, de acordo com as orientações, Monica também negou o romance.
“O senhor manteve relações sexuais com essa jovem?”, perguntou Jim Lehrer, que comanda, no canal governamental PBS, o mais respeitado programa político da televisão americana. “Não há relacionamento sexual.”, respondeu Clinton, usando de modo evasivo e suspeito o verbo no tempo presente. Quando Lehrer perguntou ao presidente se ele, ou alguém a pedido dele, tentou convencer Monica a mentir em juízo para protegê-lo, Clinton escondeu-se numa resposta ensaiada: “Não pedi a ninguém para falar nada que não fosse verdade”. Ficou no ar a forte impressão de que o presidente tinha algo a esconder. Cada palavra dos assessores era medida e pesada pelo advogado Robert Bennett, antes de ser pronunciada.
A capacidade de comunicação de Clinton, um político experiente, chegou a falhar. A certa altura, entre uma reunião na Casa Branca com o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu e a iminente visita do líder palestino Yasser Arafat, ele desabafou: “Preciso controlar meus impulsos naturais e voltar ao trabalho. Há muita coisa a ser feita.”, disse o presidente referindo-se, obviamente, à raiva que sentia de seus acusadores. Não houve um comentarista que não concordasse que o presidente precisava mesmo “controlar seus impulsos”, mas não necessariamente a raiva.
Nomear um promotor especial é uma maneira de investigar um presidente, teóricamente, longe dos venenos e intemperanças das disputas partidárias. Seu papel é tradicional na democracia americana. Desde que se conhecera como presidente, Clinton tinha um promotor especial em seu encalço. Ronald Reagan e George Bush também os tiveram. Esse em questão, Kenneth Starr, renasceu com o caso Monica Lewinsky. Ele andava apagado, depois de ter consumido quatro anos de trabalho e pelo menos US$ 30 milhões de dólares de dinheiro público, sem ter conseguido enquadrar o presidente ou sua esposa em qualquer artigo do código penal, com relação ao chamado caso Whitewater, nome genérico de falcatruas imobiliárias e financeiras em que Bill e Hillary Clinton se envolveram em Arkansas há muitos anos atrás. “Persigo a verdade, não o presidente.”, afirmava Starr.
Orientada, Linda Tripp, que era funcionária do Pentágono, procurou o promotor e lhe entregou dezessete fitas contendo as gravações das conversas íntimas entre ela e Monica Lewinsky. Nestas conversas, além das revelações íntimas, o que mais interessava à Justíça, no entanto, eram as operações de acobertamento do caso conduzidas, segundo o que Monica contava a Linda, por Vernon Jordan. Naquela ocasião, Monica se referia ao presidente como “ele” ou “o canalha”. Ela tinha medo de ir para a cadeia porque ao contrário do que dizia nas suas conversas com a amiga, assinou um depoimento oficial garantindo que nunca teve nada com Clinton. Confusa, discutiu com Linda se deveria continuar mentindo ou abrir tudo. Monica sondava a amiga sobre a possibilidade de que ela também prestasse falso testemunho, e aí entrava um documento misterioso, com instruções sobre como Linda deveria mentir em juízo. Foi nesse ponto que Linda levou o caso ao promotor Kenneth Starr. Com a ajuda dela, agentes do FBI, a serviço de Starr, grampearam, eles próprios, uma conversa entre as duas mulheres. Durante um almoço no restaurante do elegante Ritz Carlton, na capital americana, dois agentes aproximaram-se da mesa onde ambas se preparavam para comer e chamaram Monica para uma conversa. Ela saiu dali certa de que estava numa fria.
Nas conversas com Linda, Monica dava mostras de como torcia desesperadamente para que Clinton fizesse um acordo com os advogados de Paula Jones e pusesse fim ao processo. Esse processo tornaria seu falso depoimento, um documento desnecessário, esquecido. Essa era a única passagem conhecida das fitas, em que Monica Lewinsky parecia desesperada. “Ele não vai fazer o acordo”, disse Monica. “Ele se recusa.” Em outro trecho, diria a Linda que não conseguiria contar a Clinton que já havia revelado o caso deles para muita gente. “Se eu fizer isso, vou simplesmente acabar me suicidando.” Em diversas passagens das fitas, Monica dava a entender que se encontrou com Vernon Jordan. Em nenhum momento, porém, ela disse explicitamente que Jordan lhe pedira para mentir.
Pela primeira vez num instante de crise e de desafio à credibilidade do governo Clinton, 54% dos americanos, de acordo com pesquisas CNN/Gallup, achavam que o presidente estava mentindo. Onde antes só havia boatos, suspeitas e maledicências, passaram a existir fitas, documentos escritos, testemunhas de carne e osso e um promotor, Kenneth Starr, com faro de caçador, alma de puritano e disposição quase religiosa de fazer uma faxina na Casa Branca.
De acordo com os planos de inimigos ocultos, cuja finalidade, além de destruir a imagem do governo democrata e, particularmente, do presidente Clinton, era a de camuflar o início das operações secretas que mudariam para sempre, as relações que a América mantinha com as Nações Unidas, no comércio e nas relações exteriores com as demais nações. Nestes planos, estava incluída também e eleição de um novo presidente Republicano, que já haviam escolhido para disputar as prévias do partido. Tratava-se de ninguém menos do que George Walker Bush.
A história do escândalo sexual e das mentiras nos depoimentos oficiais explodiu como uma bomba, diante de um país estarrecido e de um presidente com ar perigosamente acuado, pois perjúrio e obstrução da Justiça são crimes sérios nos Estados Unidos. Nixon caiu em 1974 por essas mesmas razões legais. Assim, a palavra “impeachment” queimava nos lábios dos adversários e, espantosamente, também na boca dos amigos do presidente. “Se as acusações forem verdadeiras, elas podem dar início a um processo de impedimento legal do presidente”, reconheceu George Stephanopoulos, um dos mais leais buldogues de Clinton, a quem, como assessor, ajudou a eleger duas vezes.
Com um clima de crise pairando sobre Washington, de maneira particularmente agourenta, dezenas de intimações foram disparadas para a Casa Branca, com a precisão de mísseis guiados a laser. Vernon Jordan, Betty Currie (era o nome da fiel secretária que Monica dava, depois de ter saído da Casa Branca, nas visitas que fazia à sede da Presidência), o chefe do serviço secreto e mais três assessores diretos do presidente, teriam de depor em juízo. Jordan, já enroscado em antigas transações de Clinton, negou tudo. Restava, assim, a Bill Clinton, lutar para salvar sua presidência.

Membro do CFR, Clinton correu a Nova York para pedir proteção aos seus colegas. Entre eles, o patrono David Rockefeller. Não tardou muito para que uma solução fosse apontada. Contudo, ela custaria um esforço de guerra contra um ditador surgido em outro continente. Mas precisamente na Europa, na região conhecida como Balcãs.

Do Livro:
O Longo Caminho até o 11 de Setembro.

domingo, 4 de maio de 2014

A Guerra do Kosovo


O Kosovo situa-se a sudoeste da Sérvia, encaixado entre a Albânia, o Montenegro, a Sérvia e a Macedônia. É uma região montanhosa com os vales de Kosovo a Norte, Metohija (Kosmet) a Oeste, Gnjilane a Este, Malo Kosovo a Nordeste e Drenica no centro. A população do Kosovo, kosovars, é majoritáriamente albanesa (90%). Os albaneses consideram-se descendentes dos povos balcânicos pré-românicos, os Ilírios e em particular os Dardanianos, que antes da ocupação romana habitavam as regiões da Albânia, Kosovo e Oeste da Macedônia.
No século XII os Sérvios vindos do Norte ocupam a região hoje conhecida por Kosovo. Em 28 de Junho de 1389, em Kosovo Poljie (Campo dos Melros) o exército sérvio do Príncipe Lazar enfrentou os turcos otomanos na Batalha de Kosovo. O exército sérvio foi derrotado e o Príncipe Lazar, morto. A região foi ocupada pelos otomanos. Os albaneses convertem-se em larga escala ao islamismo, por outro lado os sérvios mais resistentes são perseguidos e muitos acabam por emigrar para o Norte (Vojvodina, Krajinas).
A Batalha do Kosovo é um marco histórico e mítico para a nação sérvia e a sua data constitui o dia nacional da Sérvia. A derrota marcou o inicio da decadência do Reino dos Sérvios que em 1459 seria submetido ao Império Otomano. Os albaneses islamizados assumem lugares privilegiados na administração otomana, e como tal considerados aliados dos turcos.
A Sérvia só volta a recuperar o Kosovo no final das guerras balcânicas (1912-1913). O Kosovo faz parte do Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos. Durante a II Guerra foi anexado à Albânia ocupada pelos italianos. Com o final da II Guerra o Kosovo passou a integrar a Iugoslávia Socialista de Tito, como parte da República da Sérvia.
Tito lidou sempre com habilidade e "mão de ferro" com os nacionalismos eslavos. Em relação ao Kosovo, e de forma a acalmar a população albanesa (majoritária no Kosovo, mas minoritária no âmbito da Sérvia ou da Iugoslávia) e simultaneamente amputar o nacionalismo sérvio de um dos seus símbolos mais fortes, foi dando progressivamente autonomia à região. A esta política não foi estranha a ambição de Tito de juntar a Albânia à própria federação iugoslava.
A Constituição Iugoslava de 1946 criou a Região Autônoma do Kosovo-Metohija, posteriormente a Constituição de 1974 criou a Província Autônoma do Kosovo (ao mesmo tempo foi criada a Província Autônoma da Vojvodina), com governo e parlamento próprios. As Províncias Autônomas possuem assento na presidência coletiva da Federação Iugoslava.
Slobodan Milosevic, líder dos comunistas sérvios assumiu a defesa do nacionalismo sérvio e em 1989, com a anuência dos comunistas do Kosovo e da Vojvodina faz alterar a Constituição da Sérvia e retirou a autonomia das províncias. O Kosovo passou a ser objeto de medidas discriminatórias dos albaneses e viveu sob um clima de tensão e conflito.
Em 22 de Setembro de 1991, num referendo clandestino, os kosovares pronunciaram-se a favor da independência. A independência, no entanto não foi reconhecida internacionalmente. Em 24 de Maio de 1992, em eleições não oficiais a maioria albanesa do Kosovo elegeu presidente o escritor Ibrahim Rugova, líder da Liga Democrática do Kosovo (LDK).
Rugova e a LDK seguiram uma política moderada e evitaram o confronto com os sérvios. Rugova defendia inicialmente a continuação na Iugoslávia, mas com o estatuto de república. Os kosovares criaram uma autêntica sociedade paralela, com as suas escolas e instituições independentes das do governo sérvio. Esta resistência passiva evitou os confrontos mas não levou a nenhuma solução.
A difícil situação econômica da Sérvia, objeto de várias sanções da comunidade internacional pela sua intervenção no conflito da Bósnia, faz-se sentir duramente na região do Kosovo-Metohija (designação oficial sérvia do Kosovo) desde há muito a região mais pobre da república. A crescente discriminação e perseguição da comunidade albanesa majoritária na região faz crescer o descontentamento e aumentou as fileiras dos nacionalistas albaneses. Forças nacionalistas como o Exército de Libertação do Kosovo - UÇK (Ushtria Çlirimtare e Kosovës) defendiam a ruptura com a Iugoslávia, e a união com a Albânia.
As primeiras ações do UÇK foram efetuadas em 1992 na Macedônia. Em 1995 iniciaram as primeiras ações armadas contra esquadras de polícia no Kosovo e em Junho de 1996 surgiram pela primeira vez em público. O tipo de atuação do UÇK valeu-lhe ser classificado pelas autoridades de Belgrado, desde logo, de "grupo terrorista". O UÇK era constituído por vários grupos com uma atuação, até recentemente, pouco coordenada, para além da reivindicação à independência, não existia um suporte ideológico definido e os seus lideres mais conhecidos tinham várias divergências entre si.
A situação no Kosovo começou a agravar-se após os Acordos de Dayton para a Bósnia-Herzegovina. A população de etnia albanesa faz sentir o seu descontentamento por a "Questão do Kosovo" não ser contemplada nos acordos. O Kosovo com uma das taxas de natalidade mais altas da Europa, em particular na população de etnia albanesa, tem igualmente uma taxa de desemprego que ronda os 70%.
A situação torna-se ainda mais violenta e no inicio de 1998 a polícia especial sérvia desencadeou ações militares contra os bastiões do UÇK nas regiões de Drenica e da capital, Pristina. Os Estados Unidos, a Grã-Bretanha, a França, a Itália e a Rússia constituíram um Grupo de Contato no sentido de procurar a obtenção de uma saída pacífica para o conflito. Em Março de 1998 as Nações Unidas, através da Resolução 1160 do Conselho de Segurança condenaram a utilização da violência no Kosovo. O Grupo de Contato propôs o fim das hostilidades, o regresso de refugiados, a retirada das forças militares sérvias e a monitorização por observadores internacionais. Após complicadas negociações e pressão dos países da OTAN, o embaixador Richard Holbrooke obteve da Iugoslávia um acordo sobre a aceitação de uma missão de observadores da OSCE. Em 25 de outubro de 1998, com a aprovação das Nações Unidas (Resolução 1203), foi estabelecida a Kosovo Verification Mission (KVM).
Apesar dos esforços da KVM a situação continuou muito tensa com várias ações levadas a cabo pelos elementos do UÇK e da policia sérvia. A escalada da violência atingiu o seu auge em Janeiro de 1999, com um alegado massacre de civis albaneses na povoação de Racak, no Kosovo.
Com grande custo o Grupo de Contato conseguiu juntar todas as partes à mesa de conversações em Rambouillet - França (7 a 17 de fevereiro de 1999). As negociações levaram à preparação de um texto de acordo que, genéricamente, previa a autonomia do Kosovo, a sua desmilitarização e o estabelecimento de uma força de manutenção da paz com militares da OTAN. A proposta de acordo não agradou totalmente às partes em conflito, mas acabou por ser assinada pelos representantes albaneses do Kosovo, e recusada pela Iugoslávia, nomeadamente nos pontos que implicavam a saída das suas forças militares e o estabelecimento de uma força de manutenção de paz.
A OTAN, cedendo a pressões de Washington, continuou com a política de pressão já iniciada no final de 1998, ameaçando desencadear ataques aéreos, caso a Iugoslávia se recusasse a assinar o plano de paz de Rambouillet. A Iugoslávia foi intransigente e pelo contrário deslocava mais forças e continuou as operações militares no Kosovo.
Em 22 de março o Conselho do Atlântico Norte (NAC) autorizou o Secretário Geral da OTAN, Javier Solana, a desencadear os ataques aéreos sobre a Iugoslávia e dois dias depois se iniciou a operação Allied Force (24 de março). Tomaram parte na operação 13 países da OTAN. Em resposta aos bombardeamentos as forças sérvias intensificaram as operações no Kosovo, e iniciaram uma "limpeza" sistemática da população albanesa do Kosovo. Os refugiados chegaram aos milhares às fronteiras da Albânia, Macedônia e Montenegro, constituindo o maior desastre humanitário na Europa desde o final da II Guerra Mundial.
Javier Solana foi um dirigente histórico do Partido Socialista Espanhol (PSOE), e contou, para essa guerra, com o apoio principal de Gehard Schöder, Lionel Jospin, Massimo d’Alema e Anthony Blair, então respectivamente chefes dos Governos da Alemanha, da França, da Itália e do Reino Unido e membros eminentes, todos os quatro da social democracia européia. Todos aceitaram, para sair do impasse das negociações de paz em Rambouillet, a via militar proposta por Washington como “solução única”, ao passo que todos sabiam que o recurso à OTAN e os bombardeios da Sérvia acarretariam a morte de muitos civis inocentes e a destruição de todo um país, sem com isso evitar a extensão dos conflitos nas Balcãns, como provou a guerra da Macedônia em 2001.

O governo americano aproveitou a Guerra do Kosovo para mudar o foco da opinião pública sobre o caso interno do presidente Clinton com a ex-estagiária Mônica Lewinsky. Em pouco tempo, a mídia dos Estados Unidos veiculou a campanha militar da OTAN, liderada pela América, cuja falsa missão era a de libertar a população albanesa de um ditador. A popularidade de Clinton permaneceu em alta, contrariando, assim, os interesses dos Republicanos.

Do livro:
O Longo Caminho até o 11 de Setembro

domingo, 2 de março de 2014

O Longo Caminho até a Guerra Global


          Os atentados de 11 de setembro de 2001 não foram somente um ato de terrorismo internacional com objetivos definidos em uma fatwa que tenha sido emitida por Osama Bin Laden. Foram, antes de tudo, um ato de terrorismo doméstico planejado pela administração Bush e Cheney, com participação dos serviços secretos de Israel e da Arábia Saudita e com a colaboração da Inglaterra. Estas são verdades absolutas e concretas.

          Se, somente se, o povo americano fosse o fiel depositário do destino manifesto, nação luz democrática do mundo contemporâneo, os homens e mulheres responsáveis pelo maior ataque terrorista da história dos Estados Unidos da América já deveriam ter comparecido perante a justiça e recebido suas penas por traição à Pátria. Todavia, como isto não se trata da verdade, as conseqüências de atos tão cruéis e vis, tenderam a um desdobramento violento e progressivo nas relações internacionais. As invasões, os saques e a ruína de várias nações serviram como pretextos para a desconfiança e as artimanhas das demais grandes nações do mundo. Quem em sã consciência confiaria nas promessas americanas pós 11 de setembro? Esta claro que a real intenção do 11 de setembro foi a de preparar o espírito do povo americano, tal qual Pearl Harbor, para aceitar e legitimar as ações agressivas que se seguiram na remodelação geopolítica do Oriente Médio, além de se criar um cordão sanitário em torno das nações que verdadeiramente são um obstáculo aos interesses americanos e de seus parceiros europeus. Para infortúnio da humanidade, as Nações Unidas fizeram parte destas atitudes maquiavélicas e, quando muito se abstiveram de fazer valer a força da Carta dos Direitos Universais do Homem.

          No presente momento, paira sobre o mundo, as incertezas da possibilidade do aniquilamento de centenas de milhões de vidas humanas como resultado direto da ganância por petróleo e poder de algumas poucas famílias poderosíssimas  escondidas sob o manto da democracia e da paz americanas. Paz que mantêm vivas as chamas do ódio, do ferro e do fogo das guerras longe das suas cidades e de seus países. Fazem de tal maneira que são premiadas com a indiferença e anuência de dezenas de nações nos Conselhos de Segurança da ONU.

          Nunca, após o fim da Guerra Fria, as nações se olharam com tanta desconfiança após a primeira década do 11 de setembro. Tanto que o número delas, com relação a certeza de que tal atentado terrorista ocorreu sob o ataque de falsa bandeira, não para de crescer. Mesmo nações amigas, que são vigiadas eletronicamente, reconhecem que tal fato ocorre como conseqüência destes falsos ataques sob a égide da segurança nacional. Desta forma, seus aparatos tecnológicos deverão ser revistos e reconfigurados nos próximos dez anos.

          As opções estão ficando escassas e o tempo de uma paz aparente, chegando ao fim. E se é verdade que existem heróis na América do Norte, os mesmos devem estar engessados pela burocracia do sistema e da cegueira da justiça americana. Como em outras guerras de sobrevivência, as batalhas decisivas deverão ser travadas nos locais menos prováveis. Isto porque os grandes cenários de poder inconteste serão os primeiros a sumir do mapa. E não é por acaso que milhares de abrigos subterrâneos estão sendo construídos em todos os países envolvidos, direta ou indiretamente nos atentados de 11 de setembro.

          O 11 de setembro não só destruiu o complexo do World Trade Center, como ceifou a vida de milhares de trabalhadores, lá alocados, ou que para lá acorreram para prestar socorro. Mas, como decorrência, levou a guerra e a destruição de países estrangeiros. Todavia, o pior é que, como uma bomba de efeito retardado, minou a confiança, a cooperação e a credibilidade das nações amigas. Tal resultado, contribuiu para a desgraça da maioria dos países do Hemisfério Norte, levando grande parte deles à crises nunca antes imaginadas. Contudo, a pior se dara de maneira inesperada, permitindo pouco tempo para a manutenção da paz e da segurança mundial.

          Infelizmente, a condução incompetente e covarde desta geração de políticos corruptos condenou a vida de todas as almas viventes neste mundo. Muito pouco resta para se modificar deste estado de coisas. Tanto que se enganam aqueles que acham que o poder e o destino manifesto da humanidade permanecerão sendo guiados pelos mesmos que agora a todos condenam.


 Francisco Carlos Bezerra